domingo, 24 de abril de 2011

As mesas girantes


Em meados do século XIX um fenômeno de causa até então inexplicada tomou conta da Europa: as chamadas “mesas girantes”. De uma hora para outra, objetos inanimados, principalmente mesas, pareciam ter desenvolvido vontade própria e lançaram-se a “dançar” na presença de espectadores estarrecidos. A futilidade humana logo passou a ocupar-se desse fenômeno como um divertimento, exibindo-o em salões e teatros, mediante cobrança de ingressos ou de forma gratuita; porém, à exceção dos costumeiros mistificadores, ninguém possuía controle sobre os eventos, que ocorriam à revelia das vontades individuais dos espectadores, embora muitas vezes as mesas obedecesse a comandos de algumas pessoas.
A princípio alheio a essa moda, o pedagogo francês  Hippolyte Léon Denizard Rivail, por sugestão de seu amigo Fortier, lançou-se ao estudo da questão. O erudito professor nunca se interessou por modismos, mas o interesse de Fortier, a quem respeitava muito, fê-lo perceber que havia algo digno de ser investigado naquelas manifestações. O que ele não poderia imaginar era que suas pesquisas transformariam de forma radical sua vida e legariam ao mundo um conhecimento de proporções transformadoras: a doutrina espírita.
Rivail era cético com relação à idéia de que os fenômenos pudessem ter origem sobrenatural, mas suas pesquisas rapidamente o convenceram de que as mesas obedeciam a um comando inteligente, apartado das pessoas que assistiam ao espetáculo. O movimento das mesas não era aleatório, porém não obedecia a qualquer lei física conhecida. Como bom racionalista, Rivail sabia que “todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente” (palavras textuais do pesquisador). Dessa forma, o ilustre pedagogo descartou, uma a uma, com boa argumentação e lógica, todas as teorias que supunham tratar-se o fenômeno de charlatanismo, obra satânica ou consequências de distúrbios eletromagnéticos (embora a eletricidade e o magnetismo interajam nesses eventos). A verdadeira explicação não tardou: os provocadores dos fenômenos eram inteligências desmaterializadas – os espíritos.
Rivail descobriu que era possível se comunicar com essas inteligências, e criou um método para tanto, baseado em leves pancadas nos objetos. A cada pergunta do professor, os Espíritos respondiam com um determinado número de toques. A partir de então, o prof. Rivail passou a uma série de perquirições a essas inteligências, e em 1857 lançou ao mundo, sob o pseudônimo de Allan Kardec, a primeira versão de “O livro dos Espíritos”, base fundamental do Espiritismo. Em outros textos teremos a oportunidade de esmiuçar os princípios da doutrina espírita; com relação ao assunto ora tratado, é interessante saber que Rivail não ficou isolado em suas idéias; vários outros pesquisadores passaram a analisar os fenômenos espíritas, em toda a sua diversidade, como os físicos William Crookes, Oliver Lodge e Michael Faraday, os astrônomos Camille Flammarion e Friedrich Zöllner, o naturalista Alfred Russel Wallace, o criminologista Cesare Lombroso, o fisiologista Charles Richet, os estudiosos Ernesto Bozzano e Gabriel Delanne e o filósofo Leon Denis. Todos esses pesquisadores elaboraram especulações próprias  a partir de suas pesquisas, com maior ou menor divergência entre si, mas em comum chegaram à mesma conclusão: os fenômenos espíritas eram autênticos.
Referências bibliográficas:
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns.
DELANNE, Gabriel. O Fenômeno Espírita.
WANTUL, Zeus, As Mesas Girantes e o Espiritismo.